quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Não basta correr atrás. Sorte é a palavra.

Um dia desses, ao abrir o feed de notícias do Facebook, fui surpreendida pela seguinte frase: "Terceiro ano de faculdade e eu aqui me questionando se é isso mesmo que eu quero da minha vida". A princípio fiquei chocada. Como uma menina que é uma ótima aluna, esforçada e que tem um talento claro para a escrita consegue duvidar do seu potencial? De que jornalismo é o caminho certo para ela? 

Dias depois, um questionamento similar acometeu meus pensamentos. Por que eu faço jornalismo? Por que não cursei outra coisa?
Simples. O fato é que não sei fazer outra coisa. Sei escrever. Um dos motivos mais clichês dos estudantes dessa área.

A razão da escolha é que fui motivada pelo coração, como sempre. Juntei o talento que os professores e amigos diziam que eu tinha mais a vontade adolescente que perdurou até o início da fase adulta. Pesquisei muito antes de me inscrever em jornalismo na São Judas. Mesmo esta sendo a única vontade. Cogitei até turismo, mas desisti. Fiquei com a opção que me pareceu mais acertada.
Pareceu. Três anos depois percebi uma coisa. Não basta escrever bem. Entusiamo, amor à profissão escolhida, notas boas e dedicação  não são fundamentais para ser um jornalista. É necessário sorte. Quanta gente boa, de texto jornalístico impecável e base gramatical incrível está fora do mercado? Quantos colegas de classe que sei que são excelentes  chegam ao quarto ano sem conseguir estagiar?

Amo jornalismo. Depois que entrei na faculdade isso ficou mais evidente. No entanto, será que um dia conseguirei dar orgulho aos meus filhos pela mãe jornalista? Será que contribuirei na renda da família por trabalhar na profissão que quis ter e estudo para ter?

São estes questionamentos mais a realidade que bate à minha porta que hoje fazem com que eu diga que eu não faria comunicação social. Se existisse uma máquina do tempo e meu pensamento atual voltasse em 2009, certamente eu faria outro curso. Não por falta de aptidão, amor ou capacidade. Apenas por não saber se um dia terei o prazer de trabalhar naquilo que meu coração e habilidade escolheram para mim.

domingo, 1 de maio de 2011

Torcedora, sim! Cega? Jamais!

Às 16:00 horas de hoje, no estádio do Pacaembu, acontecerá um clássico que faz São Paulo tremer: Palmeiras e Corinthians. Neste jogo será disputada uma vaga para na final do Campeonato Paulista 2011.

De um lado o Palmeiras de Felipão, que amarga mais de uma década sem um título expressivo e 4 anos o afasta da última conquista do estadual. Do outro, o timão de Tite que, mesmo aos trancos e barrancos, se manteve entre os primeiros chegando a fase de mata-mata. 

A razão pela qual resolvi fazer este post é a discussão que sempre se dá em confrontos assim: quem ganhará o jogo e porquê. Apesar de ser MUITO palmeirense, eu tento ao máximo ser imparcial, deixando de lado todo o meu amor e fanatismo pelo clube.

O Palmeiras vem jogando bem, mas ainda sim, possuí suas deficiências. A defesa é boa, considerada a melhor do campeonato. No ataque, as atuais estrelas do time: Valdívia e Kleber, mas que estão longe de estarem em seu auge e bom futebol. El Mago, vira e mexe contundido, não mostrou ainda o mesmo futebol de 2008, que o consagrou ídolo da torcida. O Gladiador, por sua vez, tem errado em cobranças de pênaltis, sendo que é o batedor oficial do time.

Ainda sim, não se trata de um simples jogo. Falo do maior espetáculo futebolístico de estado de São Paulo. Falo de um dos maiores clássicos do país.

O fato de o número de vitórias alviverdes em cima dos rivais alvinegros não me tranquiliza. Não posso acalmar diante desta decisão só porque as estatísticas dizem que a Sociedade Esportiva Palmeiras é superior.

Todos nós, sejamos palmeirenses ou corintianos, devemos levar em consideração a dificuldade do jogo, a qualidade dos jogadores e, obviamente, o juiz que o apitará, pois isso influencia e MUITO! 

Temo pela derrota do Palmeiras, mas a esperança me faz crer nela. Acredito que o Corinthians saia vitorioso, devido a tremendas injustiças que já acompanhei neste clássico, mas não é isso que quero. Quero que meu time me orgulhe e derrube o adversário. Espero que mostre a capacidade que mostrou até agora e supere seu maior inimigo.

No entanto, não gritarei a vitória antes do tempo. Como muitos fazem. Esperarei a hora certa para vibrar ou chorar. E que vença o melhor!




quinta-feira, 14 de abril de 2011

Um exemplo a ser seguido

Como estudante de jornalismo, é complicado falar de ego nessa profissão. Primeiro porque meu conhecimento de campo não é vasto. Segundo, porque mesmo que universitária faço parte deste meio. No entanto, um dos primeiros impactos que sofri ao entrar no curso foi notar que esse monstrinho prepotente e devorador de caráter se inicia na própria faculdade. 

Fui acolhida por excelentes veteranos que deram ( e dão até hoje) ótimos conselhos. Um que nunca me esqueci, veio do Felipe Tchilian, onde ele falava da importância do mailing para o jornalista. "As pessoas se esquecem que o cara que estuda com você hoje, pode ser seu editor amanhã. É bom você se relacionar bem com todos, pois o mailing para o jornalista é tudo". 

Guardei estas palavras a sete chaves. Não por interesse ou por pretensão, mas por questão de sobrevivência, afinal não foi isso que escolhi como profissão? Não é da palavra que quero viver? Como ser jornalista sem contatos? Como exercer esta carreira que lida com pessoas se não me relaciono bem nem com colegas de trabalho?

Daí, retorno ao tal do ego que se dá logo nas primeiras semanas de aula. As pessoas se gabam por suas notas, Consideram-se melhores que as outras, e riem do fracasso alheio. Fazem questão de criar antipatias e inimizades por coisas mínimas, por vezes sem sentidos, sem lembrar que a vida, por mais que pareça retilínea, nos prega peças e dá voltas. 

E foi na última palestra da VII Semana de Comunicação da São Judas que tive um exemplo de humildade, singularidade e profissionalismo: Fernando Santos. Fotojornalista do grupo folha por 4 décadas, Fernando, diferentemente daquilo que se diz no mundo jornalístico quanto  aos profissionais deste veículo. 
Fernando Santos em palestra na Universidade São Judas Tadeu - Unidade Móoca

Dono de um currículo invejável, este fotojornalista ao narrar sua trajetória nesta noite de quinta-feira, não menciona os grandes nomes com os quais trabalhou com ares pomposos ou arrogantes, mas com orgulho e olhos marejados.

Sem poder de oratória, Fernando encanta pelo trabalho realizado com tamanha eficácia que prende a atenção dos mais distraídos e tagarelas.
Fico honrada por este nobre profissional ter aceitado a dar uma entrevista ano passado para meus colegas e eu. Sou privilegiada por, mais uma vez, ouvir suas histórias e ver o amor que ele tem a profissão pela qual sou apaixonada, no brilho de seus olhos.

Sr. Fernando. São pessoas como senhor que fazem do jornalismo um sonho a ser conquistado, uma profissão a ser realizada com sucesso e, acima de tudo, um exemplo a todos que caráter e simplicidade é essencial para a realização de um grande trabalho! Obrigada pelo espetáculo desta noite!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Educação é bem de luxo?

Estação Sé - Não tão cheia assim, mas sempre estressante

Já deixei claro meu sentimento por minha terra natal e podem ter certeza que lerão muito por aqui que vivo uma relação de amor e ódio por São Paulo. Consigo admirar e detestar este lugar em curtos períodos de tempo, mas por esses dias algo ficou bem claro na minha cabeça: o que gera essa alternância não é a cidade em si e sim, as pessoas que vivem nela.

Seja paulistano de nascença ou de consideração, grande parte do povo que mora por aqui parece ter perdido um preceito básico da boa sobrevivência: a educação. Um lugar muito claro para se colocar isso a prova é dentro de qualquer transporte público.

Eu poderia dizer que isso de dá em horário de pico, mas na minha opinião isso já se tornou um mito por aqui. Saio para trabalhar às 9 da manhã e ainda encontro ônibus e metrô abarrotados de gente. Gente que te empurra e não pede licença, que vê você se matando com diversas coisas na mão, mas não pede para segurar.

Quando saia para trabalhar por volta das 6:40 da manhã, me lembro de passar por uma situação que até pode ser chamada de interessante. Quando você acha que não cabem mais pessoas dentro de um vagão, e aí que você se engana. Lembro que nem fazia muito esforço para andar, pois era empurrada e encaixada no meio daquela caixa metálica. Outro fator inexplicável era o fato de as pessoas empurrarem umas as outras e ainda acharem graça naquele ato, sem se preocupar que, a sua frente, existiam pessoas idosas e que poderiam se machucar. 
  
Existe outra peculiaridade envolvendo idosos: a capacidade que eles têm de provocar sono nos jovens. Não que seja proibido sentar-se nos bancos especiais, mas uma vez que qualquer pessoa necessite mais que alguém saudável daquele acento, é dever conceder o assento. No entanto todos parecem ter esquecido o bom senso em alguma parte oculta do cérebro e fingem dormir ao avistar o perigo de perder o lugar no ponto do lado de fora do transporte.

A má educação não para por aí. Em horário de grande movimentação na faculdade (em torno de 18:30 e 19:10) os estudantes da São Judas faltam se matar para entrarem no elevador. Praticamente o mesmo empurra-empurra que se encontra no metrô e com o mesmo tom de graça que já mencionei. E ai de você se esboçar que não gostou de ser pisoteado pelo engraçadinho!  Olham como se você estivesse errado por esperar um pingo de respeito vindo do próximo!

Há ainda homens desagradáveis que acham que quando eles falam coisas que bem entendem a uma mulher, coisas por vezes bem desrespeitosas, que se revoltam por não obterem respostas das moças que tratam como lixo nas ruas. Se revoltam, xingam e cobram educação.

Como assim? Que inversão de valores é essa que vem acometendo a cidade onde nasci? Quer dizer que agora o certo é errado e o errado é certo? Sou do tipo de pessoa que agradece ao motorista do ônibus por ter parado para mim. Agradeço também o padeiro, a moça dos frios e o jornaleiro. Minha língua não cai ao fazer isso. Pelo contrário. Até me sinto melhor.

São pequenos gestos que podem fazer grandes diferenças. As pessoas tem se esquecido disso em diversos setores de suas vidas. A vida em cidades grandes se tornam estressantes por si só. Se cada um fizesse sua parte, se atentassem a esses detalhes mínimos, fariam diferenças enormes.

Enquanto isso, sigo fazendo o que para muitos parece errado. Agradeço o ascensorista, peço desculpas quando esbarro ou piso em alguém e seguro a bolsa daqueles que estão em pé.

domingo, 13 de março de 2011

Corram! O mundo vai acabar!

Ocasionado pelo atrito entre as placas Norte-Americana e Pacífica, o terremoto de 8.9 graus  na escala Richter atingiu o Japão na última sexta-feira, dia 11 de março.
Como o epicentro se deu no mar, ondas de aproximadamente 10 metros varreram a costa do país, atingindo diversas cidades e espalhando destruição e caos por toda a parte.

Isso tudo é muito surreal, e por vezes, holliwoodiano para nós brasileiros. Nosso país está no centro da placa Sul-Americana, anulando nossa percepção a efeitos de vulcões e terremotos.

Ainda que uma grande tragédia, não devemos ignorar o fato que, desde que o mundo é mundo, terremotos existem. Principalmente nessas áreas onde há grande movimentação das placas. A questão pela qual resolvi escrever esse post é a discussão que se forma em cima desses fenômenos naturais.

Algumas pessoas têm atribuído muito desses fatos ao fim de tudo. Os religiosos afirmam que todas as calamidades que ocorrem no mundo são avisos de que o juízo final está cada vez mais próximo. São veementes ao dizerem que todo o mal presente na sociedade moderna consta no livro sagrado.

Já para outros, o que vem incomodando é a  previsão maia de que o fim de um ciclo no dia 21 de dezembro de 2012, causará mudanças climáticas, terremotos e uma possível extinção da vida no globo.

Essa história passou a ser levada um pouco mais a sério por parte de alguns após o filme 2012, que mostra o que acontece ao mundo na data definida pela civilização que sumiu sem mais nem menos.

No entanto, pergunto: há quanto tempo existem previsões do fim do mundo? Quem não se lembra da famosa previsão de Nostradamus de que o mundo acabaria assim que a passagem para o ano 2000 acontecesse?

Pelo que me consta, a terra gira no eixo, a humanidade não foi extinta e a vida segue normalmente. Inconformada com algumas coisas que li na internet, levei o assunto para a última aula de Teoria das Mídias com o grande professor Warde Marx. Por gostar dele e achá-lo incrivelmente inteligente e dono de um enorme bom senso, quis saber sua opinião sobre essas 'polêmicas' que aparecem em momentos como este.

Praticamente compartilhando da mesma ideia que a minha, só que de maneira mais teatral, engraçada e objetiva, o Warde disse que o mundo acaba para quem morre. Ainda nas palavras do mestre, a terra já passou por inúmeras transformações ao longo de bilhões de anos de existência e segue aí, na dela, girando em torno de si mesma e do sol.

Concordo com ele e ainda acrescento: Não acredito nesse tipo de previsão. Se os religiosos estiverem certos, o dia que Deus vier a terra seremos pegos de surpresa. Não teremos aviso prévio nem sinais claros de que deveremos fugir para as montanhas.

Não deveriamos levar em consideração a especulação da mídia e o exagero de alguns meios de comunicação referente a esse tipo de assunto. Devemos levar em conta que muitas de nossas atitudes egoistas, e por vezes capitalistas, estão alterando o clima do planeta. Este, acostumado com um estilo de vida, está se manifestando quanto a essas mudanças, que não farão com que o Planeta Terra suma do universo, mas que a vida existente nele possa desaparecer.

Pensem numa única coisa: o mundo continuará aí. Já passou por coisas muito piores que terremotos, focos de incêndio, chuvas, tornados ou qualquer outro tipo de fenômeno. Ele tem estrutura para isso e, de uma forma ou de outra, se reinventa.

Nós não.